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26/04/2019

Projeto Ramo debate sobre violência contra às mulheres

Na noite do dia 23, o curso de Psicologia através do Projeto Ramo, trouxe a discussão de um tema atual: Para além de corpos marcados – Violência e Relações de Gênero.

Na noite do dia 23, o curso de Psicologia através do Projeto Ramo, trouxe a discussão de um tema atual: Para além de corpos marcados – Violência e Relações de Gênero.
Para tratar o tema foram convidadas a pesquisadora em Sexualidade e relações de Gênero, Estelamaris Gluck Tinoco, a delegada de Capão da Canoa, Dra. Sabrina Deffente e a ativista do Coletivo Feminino Plural, Carolina Santos.
O evento iniciou com a exibição do filme Carol, no qual conta a história de Carolina Santos que aos 17 anos sofreu uma tentativa de feminicídio pelo ex-namorado. O tiro a atingiu e deixou-a paraplégica. Após a exibição, Carolina contou sobre o quanto sofreu durante doze anos sem compreender realmente o que tinha acontecido com ela e o quanto demorou a se aceitar cadeirante. 
“ Ser cadeirante é muito difícil, me enxergar como uma mulher com deficiência foi muito difícil e hoje não temos nenhuma política pública às mulheres que sofreram tentativas de feminicídio e que ficaram deficientes. Ninguém lembra dessas mulheres! Eu só entendi e consegui superar ao participar de uma ação do Coletivo Feminino Plural.”, salienta Carolina Santos que 
A pesquisadora Estelamaris trouxe ao público a visão cultural da nossa sociedade em que diariamente homens e mulheres reforçam a masculinidade e/ou machismo, inclusive em atos que nos parecem tão normais e que não nos damos conta, pois somos educados desta forma. 
“Nós ensinamos os meninos a serem agressivos ao elogiar um menino como “agro”, ao dizer que ele não deve chorar, pois “homens não choram”, ao se espantar quando um menino é educado e receber elogios de que parece uma moça. Essa agressividade que reforçamos na e alimentamos na infância, na vida adulta se torna criminalidade” 
Estelamaris trouxe dados do Fórum Nacional de Segurança Pública em que demonstram aumentos significativos no número de feminicídios no país, mas especialmente no Rio Grande do Sul. Salienta que não devemos somente nos assustar com os dados, mas que diariamente devemos nos dar conta de que determinados comentários e piadinhas reforçam essas práticas de violência.
A delegada Dra Sabrina Deffente, criou em 1999 a 3ª delegacia especializada do RS, na cidade de Passo Fundo e tem sua carreira pautada em atuação nessas delegacias. Para ela a lei Maria da Penha deu mais visibilidade a violência doméstica, mas que acredita que o combate seja através da posição e imposição das mulheres e que isso passa pela criação dos filhos.
“Eu acredito nas novas gerações, que estão sendo criadas para mudar isso” acredita Sabrina, que observa que muitas vezes a solução não está apenas no inquérito policial, mas que frequentemente a mulher quer reconstruir sua relação, é um pedido de ajuda ao procurar a Polícia. 
Para ela, cada situação tem uma solução diferente e que se bem mediado pode ser sim uma possível reconstruir a relação do casal.
O curso de Psicologia também apresentou como funciona o projeto Ramo, no qual o SEPLIN realiza os atendimentos às mulheres e aos agressores, encaminhados pela Delegacia ou Secretaria de Assistência Social.





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